Coronavírus: cenário econômico pós-pandemia e o papel do cooperativismo

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Coronavírus: cenário econômico pós-pandemia e o papel do cooperativismo

A pandemia provocada pelo novo coronavírus, além de impactar toda a estrutura da saúde mundial, também tem se tornado um enorme desafio para a economia de vários países em diferentes níveis.

“O Grande Confinamento” é o nome atribuído à crise da Covid-19 pela economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gita Gopinath. 

Em termos sanitários, essa vem sendo considerada a maior desde a Gripe Espanhola em 1918 e, em termos econômicos, a maior desde a Grande Depressão de 1929.

Com um número de mortos que já passa dos 400 mil no mundo todo e tendo atingido cerca de 188 países e territórios, os economistas começam a fazer previsões sobre como será o mundo depois que tudo isso passar. 

O cenário é bastante incerto, mas o que prevalece nas discussões entre empresários e economistas é de que nada será como era antes.

Mas qual será o nosso novo normal, afinal?

Ao longo deste artigo, você poderá conferir o que já foi dito até agora sobre os possíveis cenários pós-coronavírus, entendendo quais os impactos dele para as empresas e profissionais, assim como o papel do cooperativismo como forma de reverter esse quadro.

Os cenários V, W e U

Segundo matéria divulgada pela BBC Brasil, as letras V, W e U estão sendo utilizadas para representar os três cenários em potencial para o mundo que teremos após o coronavírus.

Simplificando a ideia, eis o que cada uma dessas possibilidades traz consigo:

Cenário V

O cenário V é considerado como otimista pois, na mesma medida em que prevê uma queda cada vez mais funda e cruel para a economia mundial, ele aposta que poderá haver uma recuperação rápida em mesmo nível, quando toda a crise sanitária passar.

Ou seja, o PIB é severamente abalado, mas a recuperação é acelerada na medida em que a vida retoma ao normal, suspendendo as restrições de circulação de pessoas e abertura do comércio.

Porém, essa visão positiva pode acabar não sendo tão realista, visto que a economia talvez não consiga se recuperar tão abruptamente, principalmente porque o coronavírus está sendo controlado em alguns países, porém em outros — como no caso do Brasil — continua avançando.

Cenário U

Essa é tida como uma opção mais provável. Ela seria similar ao cenário V, porém com uma recuperação mais lenta, sendo uma crise que leva mais tempo para ser superada, mas em que os países ainda assim conseguem se reerguer economicamente.

Essa é uma possibilidade mais realista considerada pelos especialistas, visto que produtos e serviços que ficaram com atividades paradas no início de 2020 não poderão se recuperar apenas no segundo semestre.

Essa perspectiva também inclui a crença em uma postura de incentivo por parte das políticas adotadas pelo governo, para que de fato isso possa acontecer.

Cenário W

A recessão em forma de W sugere uma recuperação econômica muito mais lenta e cheia de altos e baixos

Isso pode acontecer caso a pandemia não seja totalmente controlada, com picos de contágio que levarão a períodos de isolamento social intermitentes.

Dessa forma, a economia acompanhará essa oscilação, passando por um período de constante instabilidade, não sendo capaz de se recuperar definitivamente.

O impacto do coronavírus para empresas e profissionais

Para qualquer um desses cenários que possa se concretizar, inclusive os inúmeros outros não descartados — visto que é um contexto atípico e não há como saber com certeza o que vai acontecer — alguns impactos já estão sendo sentidos.

Eles não são necessariamente novos e provocados exclusivamente pela crise, mas foram acentuados por ela

A inovação tecnológica é um deles. Esse processo está passando por um intenso ciclo de aceleramento, o que já era de certa forma previsto, mas não com tanta urgência.

Essa necessidade imediata se explica pelo trabalho remoto e as ferramentas digitais, que estão sendo a principal saída para empresas e profissionais permanecerem em atividade, ao mesmo tempo que se atendem às medidas de isolamento.

Mais do que a adaptação quase que forçada a esses processos informatizados e regidos pela internet, a inovação será uma palavra de ordem para as empresas, de forma geral.

As organizações inevitavelmente terão que se reestruturar, transformar sua própria cultura organizacional buscando trazer uma nova atratividade para os profissionais do mercado.

Por outro lado, outro impacto que passa por um agravamento recente é o desemprego no Brasil. Com o avanço do coronavírus, o número de novos profissionais sem trabalho já passa de 1 milhão.

E esse número só tende a aumentar, visto que com o fechamento de diversos setores as empresas estão sendo aos poucos obrigadas a reduzir gradativamente seu número de funcionários.

Mesmo após a retomada das atividades, a recontratação da mão de obra não será um processo imediato, pois o mercado ainda estará sob os efeitos da crise.

O papel do cooperativismo 

O cooperativismo ainda é um modelo pouco conhecido no Brasil, mas que ao redor do mundo já tem apresentado resultados bem expressivos.

Segundo o relatório do  Censo Global do Cooperativismo de 2014, realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 12 milhões de empregos já tinham sido gerados por cooperativas no mundo todo, com exceção de dados da China.

O objetivo das cooperativas é justamente o de movimentar empresas e profissionais durante períodos de dificuldades sociais e financeiras, atuando como um mecanismo de inclusão e desenvolvimento.

Como o Estado nem sempre consegue sanar todas as dificuldades enfrentadas pela população, principalmente no que diz respeito à geração de emprego e renda, esse modelo vem sendo apontado por especialistas como uma saída muito bem-vinda, inclusive no Brasil.

Além de ser financeiramente vantajoso, tanto para empresas — que conseguem contratar profissionais e serviços por valores mais competitivos — tanto para os trabalhadores — que ampliam seu fluxo de atividade e têm acesso a benefícios de qualidade —, há também uma maior qualificação profissional, atendendo às demandas de mercado.

O desenvolvimento sustentável proposto pelo cooperativismo, ainda segundo a ONU, também colabora para a erradicação da pobreza, redução da fome e da desigualdade social.

Por essas e outras razões, o cooperativismo tem todo o potencial para se tornar um importante aliado da população, das empresas e do Estado no cenário pós-pandemia do coronavírus, auxiliando na recuperação econômica.

Ficou interessado no tema e quer saber mais sobre como o coronavírus pode ter seus efeitos atenuados pela economia solidária? Entenda melhor o que é cooperativismo.

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